A prova final da Taça de Portugal teve lugar na mítica vila de Porto de Mós, cenário que já acolheu em 1998 o Campeonato da Europa. Apesar do percurso não ser exactamente no mesmo sítio (Alvados), este ficava um pouco mais perto da cidade, na aldeia de Pragosa. Mas uma coisa havia em comum com Alvados: Pedra, pedra e mais pedra!
Queria desde já agradecer ao Ivo Santos e ao Ivo da Multimix, a disponibilidade que tiveram em reparar-me a bike quando no dia anterior parti o drop-out e desviador traseiro. Obrigado!
O circuito começava numa secção de estradão, ideal para as ultrapassagens que se fazem no inicio da corrida para ganhar posições. De seguida haviam 2 inclinados topos com muita pedra onde se concentrou muita gente, para a seguir passar numa descida técnica, rápida e sinuosa que permitia aos atletas com maior técnica ganharem alguma vantagem.
Após isso começavam as dificuldades físicas, iniciava-se uma dura e longa subida, que apenas acalmava quando se ia a cerca de 1/6 da mesma, mas logo após essa fase mais fácil havia um topo muitíssimo inclinado, em terra solta, mesmo antes do abastecimento neutro. Após este abastecimento, seguia-se em estradão a subir, onde se tinha de sofrer para ganhar ou não perder tempo. Depois disso iniciava-se a parte mais técnica e perigosa da pista. Não pela velocidade que se ganhava, mas pela chuva que caiu, que tornou as rochas em autênticos pedaços de gelo fazendo com que as rodas derrapassem mal se virava ou quando se dava uma pedalada mais forte. Valia o facto da velocidade nessa zona não ser muito elevada.
Finalmente entrava-se numa descida longa em pedra, em que não havia muita dificuldade técnica, apenas os braços ficavam num estado lastimável devido à pedra. Haviam ainda na secção que antecedia a meta alguns singletracks abertos “à mão”, para tornar a pista um pouco mais técnica.
Quanto à minha prova, apesar de ter andado a retirar carga nestes últimos tempos, acabei por me sentir relativamente bem. Apesar disso, a vitória na classificação final da Taça de Portugal não dependia só de mim, ou seja, para vencer teria de ganhar a prova e o Pedro Melitão fazer 10º, algo improvável.
Posto isto, os Elites Masculinos, iriam percorrer 5 voltas ao traçado. Após a partida, isolei-me com Ivo Santos (Clube BTT Seia) e Vítor Santos logo ao inicio, imprimindo posteriormente um ritmo mais forte no inicio das subidas da primeira volta isolando-me e ganhando tempo volta a volta, vencendo a prova com quase 6 minutos de avanço para o 2º classificado, o meu amigo Ivo Santos, que teve um furo na roda traseira na segunda volta. Davide Marques (Grupo Desp. Volta da Pedra) chegou na terceira posição, sentindo uma quebra na última volta. José Melitão terminou a prova no 7º lugar o que chegou para vencer a Taça com 6 pontos de avanço para mim. Vítor Santos terminou a Taça na terceira posição.
Fechei a época da forma que queria, com uma vitória na última prova da Taça de Portugal, conquistando vitais pontos UCI, estando agora com a melhor classificação de sempre de um Português no Ranking Internacional, 103º com 223 pontos.
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